28/05/2015

três ou passe

independem de cor, estes filhos da sã madrugada;
e ainda que o ardor dos trilhos bifurque caminhos,
e a falta de contemplação os revista com espinhos,
são pupilos do tempo em ação em fugaz caminhada.

pois o que é viver se não a empatia de compreender
que nesse morimundo não há mapas da contramão,
nem tampouco divulgam alguma receita na televisão
que ensine'squecer da nefasta mania que é se perder.

viva à noite! difusa e confusa em seus meios binários;
promovendo vital harmonia entre os mais refratários,
que do alcoice de medos usa os mais bem guardados,
procurando exercer a magia sobre os seus flagelados.

três ou passe, só não passe essa vida sem ultrapassar
sentimentos criados restritos, sedentos por sabe-se lá;
que lhe baste o desgaste da vi(n)da de qualquer lugar!

passado o anseio, os resta o recreio, repleto de cinzas;
pois inda que o solo vermelho já não complete vidas,
pelo menos não se instala o receio, lhes resta o seguir.
estão sedentos da opala no meio da orquestra porvir.

que se fale das pragas, das águas, da sorte lançada,
dos calos, dos ralos, dos tragos e até da má-temática;
mas que a vida se viva sem mágoas, de alma lavada,
pois quando se vive a vida de falas, dá-se à estática.

que a luz não se atreva a faltar durante a penumbra,
que as luvas de chuva nos protej'as mãos da rotina,
que a curva noturna já não seja'ssim, tão repentina,
e o capuz cubr'as trevas a dar-nos inveja da sombra.

três ou passe, que nos passe a vontade de multiplicar
números tão distintos que insistem em par resultar;
que se indague à vontade a verdade de se inventar.